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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Carta aberta

"A amizade é o maior sentimento que não morre."


Florbela Espanca



Tenho mantido um silêncio estranho para muitos dos que me rodeiam.

Por vezes, a saúde prega-nos partidas que nos leva a reconsiderar o rumo das nossas vidas.

E até mesmo, a nossa postura perante ela.

Esta espécie de carta aberta pretende apenas agradecer a todos os meus amigos que incansavelmente têm sido isso mesmo. Amigos. Alguns muito mais, porque a palavra em si não é abrangente o suficiente para albergar tudo aquilo que vocês significam para mim.

Não sou um felino de muitas palavras. E as poucas de que faço uso, por vezes não são as mais adequadas. Vocês sabem, certo?

Tal como escrevi em cima, aos meus amigos presto (podia ser Ariel, mas sou um tradicionalista...) os meus agradecimentos. Tenho mau feitio, litros de café no sangue e para piorar, mesmo mau feitio. E mesmo assim, vocês caminham a meu lado. O que faz de vocês, gente mais louca que eu. Vocês sabem quem são.

A todos vocês que me mandaram mails e mensagens de rápidas melhoras, o meu muito obrigado. Os laços que nos unem são ténues mas a vossa preocupação tocou-me.

E o meu muito sentido obrigado a duas pessoas por quem sempre nutri uma enorme simpatia mas que se revelaram duas pessoas com uma sensibilidade acima de qualquer escala. Não esquecerei as vossas palavras. E sim, também não esqueço a mixórdia do vosso café. É impossível...Mas continuo a gostar muito de vocês.

Por ora, estou mais ausente do que gostaria. Tudo tem o seu tempo.

Queria apenas dizer a todos aqueles que fazem parte da minha vida que não estão esquecidos.

Depois não querem que faça piadas sobre religião...Metem-se a jeito!

Diálogo ocorrido numa esplanada (sim, eu sou daqueles malucos que vai beber uns copos para esplanadas quando está a chover)...

 

- Mas afinal de contas qual é a tua religião?

- Eu sou católico muito pouco praticante...

- E isso quer dizer o quê?

- Quer dizer que pratico sexo tanto quanto sou um fervoroso católico...Muito pouco! E tu, a que seita é que pertences? Ateia? IURD? Lux?

- Sou evangélica. Sabes o que é?

- Ah, sim. Conheço perfeitamente. Aquele pessoal que passa a vida a mandar emails com músicas dos Vangelis...

 

Quem me conhece sabe que mais cedo ou mais tarde, sai uma piada religiosa algures.

:)

Primeiras impressões

Este post começa 17 anos atrás.

O dia em que um gato preto decidiu que havia de fazer parte da minha vida. Sim, porque por alguma razão acredito que são os animais que nos escolhem e não o contrário. Pancadas. Adiante...

O gato tinha algumas particularidades. Gostava de fazer rally no tapete do hall de entrada, mastigar pantufas felpudas e um apreço considerável por afiar as unhas onde não devia. Portanto, um felino como qualquer outro.

Mas demonstrava também uma personalidade vincada. Quando lhe era oferecido camarão (o que é um deleite para qualquer felino que se preze), o gajo olhava de lado. Principalmente se o tamanho do dito não andava entre os 40/60 por kg. Mais pequeno que isso o sacana lançava um olhar tipo "Deves estar a gozar, não? Vê lá se não queres que te apare essa barba mal semeada à unhada e te dê uma lata de whiskas de salmão à boca".

Personalidade. Capacidade de observação. E um mau feitio de bradar aos céus.

17 anos depois, o sacana continua vivinho da silva. Para gáudio de todos aqueles que o adoram. A começar por mim.

17 anos de gato correspondem se não estou em erro a 84 anos nossos.

Portanto, o gato é um idoso depravado (não eu, eu sou simplesmente depravado, não idoso...). Só que agora já não faz rally, limita-se a passear alegremente sobre o tapete e a arrastá-lo. Já não mastiga pantufas, limita-se a escondê-las. E provavelmente continua a afiar as unhas onde não deve mas agora fá-lo pela calada. A idade aguça o engenho.

Lembro-me de quando o vi pela primeira vez. Foi uma espécie de encontro imediato em 3º grau. Eu percebi que aquela bola de pêlo não era flor que se cheirasse e ele percebeu que tinha ali um gajo com tanto ou mais mau feitio que o dele.

As primeiras impressões não enganam. 17 anos depois ele adora-me e eu a ele. Soa abichanado, certo? It's a cat thing...

E é isso que este post aborda hoje. Primeiras impressões.

Diz a sabedoria popular que as primeiras impressões são enganadoras. Eu prefiro chamar-lhes superficiais. Não se deve tirar conclusões definitivas baseadas em tão pouco. Mas pode-se tirar algumas ilações. E guardar notas.

Sou gato de guardar notas mentais. Aqueles pequenos pormenores a que não se dá atenção nenhuma. E que dizem tanto sobre as pessoas.

Ontem relembrei-me de umas quantas notas mentais. Umas com 5 anos de existência, outras com 7. Mas todas elas com uma percentagem de acerto a rondar os 70%. Os restantes 30% são a margem de erro que dou para me provarem errado.

Como tantas vezes digo, existe uma razão válida para os gatos não observarem este mundo a cores. Tudo é mais nítido em sépia ou preto e branco. Até o que sabemos com tantos anos de existência.

Teoria do "Chupa-mo"...

Habitualmente até sou um gato com tolerância...

Ok, é uma mentira descarada. Mas façam-me o gosto. Ajam como se acreditassem piamente na primeira frase...que tal como disse, é balelas.

Hoje apliquei em todo o seu esplendor a famosa teoria do "chupa-mo".

A teoria do chupa-mo consiste em ouvir tanta asneirada de uma mulher em tão curto espaço de tempo que o copo transborda de tal maneira violenta que se assemelha a um tsunami (não sexual, entenda-se. Senão seria a teoria da ejaculação precoce) verbal. E um tsunami verbal que tem origem na minha pessoa tem efeitos devastadores. Com o culminar na famosa expressão "Chupa-mo".

Não quero com isto dizer que desejo literalmente que mo chupem. Não era o caso. É simplesmente o desejo incontrolável de fazer a outra pessoa fechar a matraca a todo o custo. E visto que Deus criou uma peça com o diâmetro aproximado da outra...Não é um encaixe perfeito mas permite que a asneirada que a outra pessoa diz se torne imperceptível. O que tornaria a coisa numa espécie de sinfonia de Bach aos ouvidos já de si massacrados.

A teoria do chupa-mo deve ser utilizada unicamente em último caso. Dizem que causa habituação, possíveis enxaquecas e dores recorrentes nos maxilares da pessoa a quem a teoria é aplicada.

Não há pachorra...

Poesia para adultos...para os adultos do amanhã...O problema é que este amanhã vem longe para caraças!

Existem variados aspectos da literatura que admiro.

A facilidade de escrita de algumas pessoas, o mudar de registo como quem passa de uns jeans para um smoking, até mesmo a capacidade de escrever 20 mil caracteres e o que sai dali no final ser o equivalente a uma ETAR a pulsar de futilidades.

Sempre olhei para Alice Vieira como uma escritora de contos infantis. Se calhar, porque nunca dediquei o tempo e a atenção devida às restantes obras da senhora.

Fiquei a saber hoje que a senhora também escreve poesia para adultos. O que tem lógica porque a mulher tem 482 anos.

O dito livro foi parar ao Plano de Leitura para crianças, o que levando em conta que elas hoje em dia são extraordinariamente precoces, também não me surpreende grande coisa.

O dito livro chama-se "O que dói às aves".

Quando ouvi o nome pela primeira vez pensei que fosse um manual de taxidermia. Alguém com 482 anos parece-me uma entidade válida para escrever sobre animais empalhados, neste caso aves. E um manual de taxidermia em forma de poesia não deve ser fácil de escrever.

Depois soube que este caso remonta a 2009.

Awesome!!!

Isto quer dizer que nos últimos 3 anos, Alice Vieira sozinha foi responsável pelo crescente número de indivíduos rebarbados com gosto pelo sadismo que se dedicaram à observação de pássaros. De gabardine e óculos escuros, é algo que carece de confirmação mas a imagem é perturbadora...

Aguarda-se agora com expectativa as próximas escolhas para o Plano de Leitura.

Imagino obras do calibre de "Gina, a perdiz saltitona", "As 50 sombras de Grey, o leopardo" ou algo do género "Anita atinge a puberdade e decide criar cavalos"...

Se calhar, é melhor os senhores começarem a ler os livros antes de os sugerirem. É só uma opinião...

Oh, dear...

Portugal está cada vez mais a tornar-se o destino turístico de eleição para todos os amantes de sexo anal.

Nunca uma população levou tanto na peida em tão pouco tempo e de alguém que demora 3 horas a soletrar as palavras "Sexo Anal".

Preparem-se. No ano de 2013, não irá haver fogos florestais. Vai é ser um cheiro a borracha queimada e tubos de vaselina vazios a cada esquina...

E se a Cacharel fosse à m*rda, hum?

Uns dias atrás andou por aí uma coisa chamada "Á procura de Diana".

A coisa trocada por miúdos era um gajo que conheceu uma gaja no Bairro Alto, ela ia para Paris no dia 14 e ele não sabia pívias sobre ela a não ser que era podre de boa e o gajo caiu de cú por ela. Ele foi cartazes em manifestações, lençóis escritos nos viadutos das auto estradas, eu sei lá.

Tudo o que era mulher nas redes sociais suspirava e desejava que ele a encontrasse. Até eu sugeri que o rapaz fosse no dia 14 para a porta de embarque de todos os vôos da Air France no dia 14 com uma flash mob para a chavala ficar de tal modo apanhada da molécula que ficaria por cá e seriam felizes para sempre...ou não.

Quando a esmola é muita, o cego desconfia. E quando a história de amor roça os limites da perfeição cinematográfica, ao gato cheira-lhe a esturro.

Mesmo assim, ainda estiquei a corda. Podia ser apenas o meu mau feitio a manifestar-se em todo o seu esplendor.

Mas não.

Romance is not dead, only breathing through a straw...

F*ck you, Cacharel.

No entanto, o meu aplauso silencioso aos meninos do marketing da marca. Pensaram outside of the box. Resta-me apenas desejar a eles que passem verdadeiramente por um amor daqueles de cortar os pulsos.

Afinal de contas, o amor é f*dido...

Hoje foi o Dia Mundial da Música

Sou muito suspeito para abordar este tema.

Fui músico, mantenho uma relação deveras umbilical com a mesma...desde que seja boa música.

Hoje em dia já é difícil distinguir boa música de lixo musical. Ou porque a oferta é demasiada ou porque simplesmente esta geração já tem os ouvidos de tal forma f*rnicados que bem podiam ouvir uma obra prima e soar-lhes a Justin Bieber.

Sim, pitas malucas. Processem-me. Ouvi uma vez Justin Bieber e tive de beber uma garrafa de absinto de penalti para voltar ao estado normal.

Quando era puto, enjoei de tanto ouvir Pink Floyd. Não percebia onde estava a beleza daquilo. Até a chegada do dia em que me passei da marmita e jurei que havia de saber tocar aquilo de trás para a frente. E aí sim, percebe-se a beleza e a complexidade da coisa.

A mesma coisa com Guns n' Roses.

Black Sabath.

Led Zeppelin.

ZZ Top.

O meu Némesis é David Bowie.

Não pela complexidade musical do homem mas o gajo é o Camaleão...Prefiro de longe ouvir do que destruir a musicalidade dele.

Incomoda-me quando esta geração de hoje zomba com os mestres do passado. Esquecem-se os meninos que se não fosse pelas bandas (e muitas outras) acima mencionadas, o mais provável era estarem todos a comprarem 33 rotações de piadas foleiras sobre ingleses, franceses e portugueses.

Portugal nunca teve tanta boa música como agora. Bons letristas. Bons compositores. Boas bandas.

Dá gosto ouvir boa música, seja qual for a sua origem. Pena é que nem toda a gente saiba distinguir o trigo do joio.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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